Milionários cubano-americanos planejam investimentos para suposta queda de governo
Reunidos em Miami, empresários de origem cubana preparam propostas econômicas na expectativa de mudanças políticas na ilha

Em uma mansão com vista para a baía de Biscayne, em Miami, nos Estados Unidos, um grupo de famílias cubano-americanas ricas se reuniu para debater o futuro de Cuba. O encontro marcou a quarta reunião da recém-criada Câmara Nacional de Comércio Cubano-Americana (Cancc).
Com sobrenomes conhecidos e históricos na comunidade de exilados, os empresários discutiram o estado da economia da ilha e compartilharam expectativas sobre uma possível queda do governo comunista. Segundo Juan Omar Sixto, presidente da Cancc, o objetivo da organização é estar preparado para atuar em Cuba assim que o regime atual deixar o poder.
Desde que o líder revolucionário Fidel Castro tomou o poder em 1959 e expropriou terras e empresas, a comunidade de exilados tem exercido influência sobre as políticas de Washington em relação a Cuba. Agora, a organização elabora propostas que vão desde a criação de uma Bolsa de Valores até comitês voltados para infraestrutura energética e segurança alimentar.
Os empresários afirmam contar com apoio e contatos influentes, incluindo pessoas próximas ao secretário de Estado americano, Marco Rubio. A intenção declarada é retomar atividades comerciais e fornecer ajuda humanitária imediatamente após uma eventual transição política.
Em contrapartida, o governo cubano anunciou recentemente medidas de liberalização econômica defendidas pelo presidente Miguel Díaz-Canel, que busca promover o socialismo e a justiça social. No entanto, os investidores reunidos em Miami minimizam as reformas, considerando-as superficiais e desprovidas de garantias para o capital estrangeiro.
Analistas ouvidos avaliam que as expectativas criadas por grupos de exilados e pelo governo dos Estados Unidos podem ser prematuras. Enquanto a diáspora planeja o futuro pós-comunista, a população na ilha enfrenta apagões recorrentes e graves dificuldades no abastecimento de alimentos, combustível e medicamentos.
Com informações de: BBC Brasil
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