Posição fiscal do Brasil afeta investidores e exige corte de gastos, diz IFI
Relatório da Instituição Fiscal Independente aponta risco de descumprimento de meta em 2027 e alerta para impacto na credibilidade e na dívida pública.

O relatório de acompanhamento da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, divulgado nesta quinta-feira (17), aponta risco de descumprimento da meta fiscal em 2027 e diverge significativamente das projeções apresentadas pelo governo na proposta orçamentária. Enquanto a equipe econômica estima fechar as contas no azul, a IFI projeta um déficit primário efetivo de aproximadamente R$ 86 bilhões, o equivalente a 0,6% do PIB.
Considerando as deduções legais de despesas na apuração da meta, a instituição prevê um superávit primário de apenas R$ 900 milhões para o próximo ano, valor insuficiente para atingir o limite inferior da meta estabelecida, que é de um superávit de 0,5% do PIB. A proposta de orçamento enviada pelo governo ao Congresso prevê um superávit primário efetivo de R$ 18,6 bilhões, representando uma diferença de mais de R$ 104 bilhões em relação à projeção da IFI.
Alexandre Andrade, diretor da IFI, explicou que a discrepância decorre de premissas distintas adotadas nos parâmetros macroeconômicos, e não de pessimismo. Segundo ele, a entidade adota maior conservadorismo e está mais alinhada com as projeções do boletim Focus. Entre os pontos de divergência estão as estimativas de inflação, gastos previdenciários, benefícios como o BPC, abono salarial, seguro-desemprego e sentenças judiciais.
Contingenciamento e impacto na dívida
Para assegurar o cumprimento das regras fiscais em 2027, a IFI estima ser necessário um contingenciamento de despesas discricionárias da ordem de R$ 35,7 bilhões, montante que recairia principalmente sobre os investimentos governamentais. O diretor ressaltou ainda que o cumprimento formal da meta não resolve o problema estrutural das contas públicas, visto que a dívida continuará crescendo em proporção ao PIB devido a despesas excluídas da apuração oficial.
De acordo com o relatório, a posição fiscal do país afeta diretamente os prêmios de risco exigidos pelos investidores para financiar a dívida pública. Questionado sobre como romper o círculo vicioso entre desequilíbrio e juros altos, Andrade defendeu a contenção das despesas obrigatórias por meio de alterações legislativas, apontando que o espaço para novos aumentos de arrecadação é limitado pela alta carga tributária.
Com informações de: Cnn Brasil
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