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Novo tipo de escova de dentes usa cargas elétricas para eliminar bactérias

Após três meses de uso, voluntários que usaram a escova experimental tiveram menos placa bacteriana, inflamação e sangramento.

Pesquisadores desenvolveram uma escova dental inovadora que, além do atrito mecânico, usa eletricidade gerada na escovação para eliminar bactérias. Testes iniciais mostram redução significativa de placa bacteriana e inflamação gengival, prometendo uma nova era na higiene bucal.

Escovar os dentes parece um gesto banal, mas por trás dele há um princípio básico da física que a humanidade usa por instinto há milênios: o atrito. As cerdas da escova, quando esfregadas contra os dentes, desprendem restos de alimentos e placas bacterianas que vivem na boca. E é essa fricção, combinada ao creme dental, a responsável por deixar nossos dentes limpinhos – sem danificá-los.

Desde, pelo menos, o século 15, é assim que funcionam as escovas de dentes. Até mesmo as versões mais modernas, como as escovas de dentes elétricas, partem do mesmo princípio do atrito. Nesses casos, o motor interno da escova gera movimentos automáticos rápidos nas cerdas – e é o contato físico direto contra a superfície dos dentes que remove mecanicamente a sujeira dos dentes.

Agora, pesquisadores da Universidade de Pequim, na China, podem ter inovado essa técnica milenar. Eles desenvolveram uma escova de dentes que funciona não apenas por atrito mecânico, mas também por meio de uma carga elétrica gerada durante a escovação. A eletricidade tem como objetivo eliminar as bactérias que favorecem a formação de placa bacteriana e impedir que elas invadam os dentes.

Os pesquisadores demonstraram que, após três meses de uso, aqueles que utilizaram a escova experimental apresentaram níveis significativamente menores de placa bacteriana, inflamação gengival e sangramento, em comparação aos usuários das cerdas de nylon. No entanto, fatores como segurança a longo prazo e o custo não foram avaliados. O trabalho foi publicado na revista Science Advances.

Segundo Frank Scannapieco, cirurgião-dentista da Universidade de Buffalo, em Nova York, o dispositivo pode ser mais eficiente na remoção da placa bacteriana do que as escovas manuais convencionais, mas são necessários mais testes para comprovar sua eficácia e segurança.

Como funciona a nova escova com eletricidade?

A escova experimental possui cerdas feitas de fluoreto de polivinilideno (PVDF), um plástico que gera eletricidade quando curvado. À medida que as cerdas se flexionam durante a escovação, elas geram uma carga elétrica que, por sua vez, desencadeia reações químicas na saliva e na água. Essas reações liberam espécies reativas de oxigênio (EROs) – moléculas altamente reativas que podem danificar células bacterianas e reabsorver as cargas.

Durante testes laboratoriais em que a escova foi utilizada sobre germes isolados, suas cerdas eletrificadas eliminaram mais da metade das bactérias Streptococcus mutans, que contribuem para o surgimento de cáries. Em comparação, as cerdas de nylon eliminaram apenas 9% das bactérias. A escova experimental também reduziu em até 78% os níveis de Porphyromonas gingivalis – associada a doenças gengivais –, enquanto as de nylon reduziram apenas 8%.

Materiais desse tipo, capazes de produzir energia, são chamados de piezoelétricos. Além da própria escova de PVDF, suas aplicações são bem conhecidas no dia a dia. Exemplos incluem isqueiros elétricos, hidrofones, sensores de pressão e força e ultrassonografias, que geram uma carga elétrica quando sofrem pressão ou deformação mecânica.

Para estudar a invenção, a equipe de pesquisadores testou a escova em 115 voluntários com inflamação gengival ou cárie dentária. Esses participantes do estudo foram aleatoriamente designados para usar as novas escovas de dente ou escovas tradicionais com cerdas de nylon duas vezes ao dia, durante três meses.

Ao final do estudo, os participantes que utilizaram as escovas elétricas apresentaram menos placa bacteriana, menos inflamação gengival e menos sangramento do que os participantes que usaram escovas comuns. Amostras de placa bacteriana também revelaram que os usuários da PVDF apresentaram níveis mais baixos de bactérias associadas a doenças bucais e níveis elevados de bactérias associadas à saúde bucal. No entanto, especialistas apontam para lacunas no estudo e afirmam que são necessários mais dados para comparar os resultados com outras pesquisas sobre escovas de dente.

Com informações de: Super Interessante

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