Um mês após incêndios, Maxakali enfrentam falta de água e roças destruídas em MG
Queimadas devastaram 65% da Terra Indígena Maxakali, destruindo plantações, matas e nascentes; comunidade busca recursos para recomeçar

Um mês após o início das intensas queimadas que atingiram a Terra Indígena Maxakali, nos municípios de Bertópolis e Santa Helena de Minas, no Vale do Mucuri, em Minas Gerais, os indígenas ainda enfrentam dificuldades para lidar com as consequências da destruição. Ao todo, cerca de 3,5 mil hectares foram queimados, o equivalente a aproximadamente 65% do território. As chamas destruíram roças, áreas em processo de recuperação ecológica e deixaram nascentes desprotegidas.Prejuízos ambientais e alimentares
Há mais de três anos, o Projeto Hãmhi trabalha com o povo Maxakali na recuperação da vegetação e no cultivo de alimentos. Parte desse esforço foi perdida com o fogo, que atingiu árvores nativas — incluindo o jacarandá-da-Bahia, espécie ameaçada de extinção —, provocou a morte de animais e reduziu os nutrientes do solo. Além disso, a vegetação utilizada para cobrir as casas ficou escassa.
Segundo Kamila Paganelli, coordenadora técnico-pedagógica do Projeto Hãmhi, a principal dificuldade atual é recomeçar as roças e os plantios de alimentos como batata, frutas e mandioca. Algumas famílias também enfrentam falta de água, e a caça está escassa.
Investigação e apuração
Apesar das suspeitas de que o fogo tenha sido provocado por ações criminosas, a Polícia Civil de Minas Gerais informou que as investigações seguem em andamento e, até o momento, ninguém foi responsabilizado. O primeiro incêndio foi registrado em 7 de outubro, espalhando-se rapidamente a partir de um trecho da estrada que liga o distrito de Bom Jesus da Vitória aos municípios de Santa Helena de Minas e Bertópolis. O fogo foi controlado em 10 de outubro, mas um novo foco surgiu no dia seguinte em uma fazenda vizinha, sendo extinto apenas em 15 de outubro.
Para Rosângela Pereira de Dugne, professora da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e integrante da coordenação do projeto, a demora na apuração aumenta a insegurança e a vulnerabilidade da comunidade, que já lida com um histórico de violência e racismo.
Medidas preventivas e campanha de apoio
Representantes dos projetos que atuam no território defendem a criação de um Plano de Manejo Integrado do Fogo (PMIF), com a participação de municípios, estado e União para a construção de aceiros e prevenção de novos incêndios. O pedido de reconhecimento da Brigada Voluntária Mãtanãg Kõnãnghi e de fornecimento de equipamentos também foi encaminhado ao Ibama.
Enquanto tentam se reestruturar, as comunidades contam com uma campanha on-line de arrecadação lançada pela Teia dos Povos, com a meta de alcançar R$ 100 mil para a compra de sementes, mudas, preparação do solo e alimentação dos indígenas nos mutirões de recuperação.
Com informações de: Metrópoles
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