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Infecção de urina tem influência genética, mas não é determinante

Estudos mostram que variantes genéticas influenciam a suscetibilidade às infecções urinárias, mas o desenvolvimento do problema depende de múltiplos fatores.

A infecção do trato urinário (ITU) causa forte desconforto e, enquanto ocorre de forma esporádica para grande parte da população, pode se transformar em um ciclo recorrente para outras pessoas, com predominância entre as mulheres. Diante de episódios frequentes em familiares de uma mesma família, surge o questionamento sobre a origem genética da condição. A ciência aponta que existe uma relevante influência genética na predisposição à doença, embora ela não atue como um fator determinante absoluto.

Pesquisas no campo da genômica demonstram que variantes genéticas específicas podem alterar a sensibilidade das mucosas e moderar a resposta imunológica inata contra a invasão de micro-organismos. Entre os principais agentes está a Escherichia coli uropatogênica, bactéria responsável pela ampla maioria das infecções urinárias.

Segundo o ginecologista César Patez, especialista em saúde da mulher e prevenção de doenças do trato geniturinário, mapeamentos genômicos modernos já identificaram dezenas de regiões do genoma associadas à suscetibilidade a infecções recorrentes. “Estudos mostram que existem variantes genéticas capazes de influenciar a suscetibilidade às infecções urinárias. Algumas podem interferir justamente na forma como o epitélio urinário interage com as bactérias”, explica o médico, ressaltando que a genética afeta a estrutura do urotélio e os mecanismos de imunidade inata.

Por sua vez, o urologista Fernando Meyer, professor titular de urologia da PUCPR e médico cooperado Unimed Curitiba, enfatiza que o quadro depende de um equilíbrio dinâmico e multifatorial. “Sabemos que existe um componente hereditário na predisposição às infecções urinárias recorrentes, principalmente nas mulheres. Isso não significa que exista um gene específico da infecção”, pondera.

Conforme Meyer, a manifestação clínica associa herança genética, anatomia individual e hábitos comportamentais. “Existe uma combinação tanto de fatores genéticos, quanto de fatores anatômicos, imunológicos e ambientais, ou seja, se o paciente tem cálculos, se tem obstrução no trato urinário, se tem uma imunidade mais baixa, se toma menos líquido, então são vários fatores associados”, detalha.

A maior incidência em mulheres também é explicada por fatores anatômicos e estruturais. A uretra mais curta e a proximidade com regiões contaminadas tornam o organismo feminino naturalmente mais vulnerável, somando-se a flutuações hormonais e à composição da microbiota local.

Atualmente, o conhecimento genômico ainda não está acessível como exame diagnóstico de rotina nos consultórios. A investigação médica continua focada no histórico do paciente, combinando exames laboratoriais como urocultura e exames de imagem e funcionais para identificar alterações anatômicas ou funcionais, permitindo estabelecer um plano terapêutico individualizado quando há infecções de repetição.

Com informações de: Metrópoles

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