Santa ou pecadora? 10 obras que explicam a polêmica sobre Maria Madalena
Exposição em museu na Alemanha reúne dez representações artísticas que mostram como a figura bíblica foi retratada ao longo dos séculos entre o sagrado e o profano.

Poucas figuras bíblicas causaram tanta fascinação na sociedade quanto Maria Madalena. Considerada a primeira pessoa a testemunhar a ressurreição de Cristo e a divulgar a notícia, a chamada “apóstola dos apóstolos” mantém há séculos seguidores entre comunidades religiosas e profanas. No entanto, a Bíblia apresenta relativamente poucas referências a ela, abrindo espaço para uma rica mitologia que acabou por ofuscar sua figura real.
Ao longo do tempo, o nome de Madalena passou a representar uma combinação de diferentes personagens bíblicas e noções históricas. É essa trajetória e pluralidade de interpretações que explora a exposição Maria Madalena. Pecado. Oração. Amor, em cartaz no Museu Städel, em Frankfurt, na Alemanha.
“Descobrimos essencialmente que existem três Marias Madalenas em uma”, afirma o historiador da arte Bastian Eclercy, um dos curadores da mostra. “Uma é a pecadora anônima, outra é a Maria da Betânia e a terceira é a Maria Madalena bíblica, estritamente falando.”
De Albrecht Dürer a Marlene Dumas
A exposição analisa as três principais formas de representação da personagem por meio de dez obras marcantes na história da arte:
- A Elevação de Santa Maria Madalena, de Albrecht Dürer (c. 1504-05): Xilogravura que retrata a santa nua sendo erguida aos céus por anjos, inspirada na Legenda Áurea.
- Maria Madalena no Sepulcro, de Giovanni Girolamo Savoldo (c. 1535-40): Óleo que traz a personagem com seu característico vestido vermelho e um pequeno vaso de alabastro.
- Jesus Aparece a Maria Madalena, de Lavinia Fontana (1581): Uma das primeiras ilustrações da santa por uma artista mulher, retratando a passagem em que ela confunde Jesus com um jardineiro.
- Marta Repreende sua Vaidosa Irmã Maria Madalena, de Simon Vouet (1621): Cena inventada que aborda a “confusão de Marias” ao retratar Madalena em um toucador.
- Madalena Penitente, de Guido Cagnacci (1626-27): Obra que reforça a associação tradicional entre Madalena e o pecado sexual, mostrando-a com uma caveira em referência à brevidade da vida.
- Madalena Penitente em Meditação, de Georges de La Tour (1635-40): Retrato intimista que foca na autorreflexão e na mortalidade.
- A Dor de Madalena sobre o Corpo de Cristo, de Arnold Böcklin (1867): Abordagem dramática onde a personagem expressa luto intenso pela morte de Jesus.
- Cristo e a Pecadora, de Max Beckmann (1917): Pintura inspirada na passagem em que Jesus impede o apedrejamento de uma mulher não identificada.
- Naomi Campbell como Maria Madalena, de Marlene Dumas (1996): Obra contemporânea que aborda celebridade, reputação e a etnização da beleza na arte ocidental.
- O Desafio, de Nieves González (2025): Atualização da personagem vestindo um casaco estofado, transmitindo autoconfiança, domínio e autonomia.
A exposição no Museu Städel permanece aberta ao público em Frankfurt até 17 de janeiro de 2027.
Com informações de: BBC Brasil
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