Impacto emocional na síndrome do intestino irritável é destaque em programa
Especialistas explicam como o estado psicológico atua como principal protagonista nas crises da doença e discutem estratégias de controle.

O componente emocional é o principal protagonista da síndrome do intestino irritável, segundo Flavio Steinwurz, mestre do Colégio Americano de Gastroenterologia, que participou do programa CNN Sinais Vitais com o Dr. Roberto Kalil. Para ele, a alimentação atua como coadjuvante, podendo funcionar como gatilho desencadeador de crises dependendo do estado emocional do paciente.
Para ilustrar a relação entre emoção e sintomas digestivos, Steinwurz citou um exemplo elucidativo: uma mesma pessoa pode degustar vinho durante uma viagem de férias tranquila sem sentir nenhum desconforto, mas ao tomar uma taça no cotidiano agitado do trabalho, experimenta inchaço abdominal, desconforto e dor.
“Dependendo do componente emocional, você vai ter uma interpretação diferente daquele alimento que veio causar problema”, explicou.
Dieta Low FODMAP como estratégia de controle
Steinwurz também abordou a chamada dieta Low FODMAP, desenvolvida por um pesquisador da Universidade de Monash, em Melbourne, na Austrália. A sigla FODMAP corresponde a grupos alimentares fermentáveis — oligossacarídeos, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis — que, segundo os estudos, aumentam significativamente a formação de gases e, consequentemente, agravam os sintomas da síndrome.
Entre os alimentos identificados como problemáticos estão cebola, alho, feijão, ervilha, lentilha, algumas frutas, adoçantes e certos tipos de castanhas.
Sintomas que alimentam a ansiedade
O psiquiatra do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP Arthur Danila destacou que os sintomas intestinais podem, por sua vez, intensificar a ansiedade e prejudicar a saúde mental. Segundo ele, ao associar determinado alimento a um episódio de mal-estar, a pessoa passa a desenvolver o que é chamado de ansiedade antecipatória.
“Se eu comi brócolis e passei mal, então eu já vou começar a olhar sempre se aquele prato tem brócolis”, exemplificou Danila. Esse padrão de comportamento pode levar ao isolamento social progressivo, com pacientes deixando de frequentar festas ou eventos por não terem controle sobre os alimentos disponíveis.
Quando não acompanhado adequadamente, esse quadro pode evoluir para diagnósticos formais como transtorno de ansiedade ou depressão.
Com informações de: Cnn Brasil
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