Nascida em pulmão de aço: a história de britânica que sobreviveu à poliomielite na gravidez
Elizabeth Mennell contraiu poliomielite aos cinco meses de gestação em 1956 e precisou dar à luz Susan dentro de um equipamento metálico respiratório.

Em 1956, Elizabeth Mennell tinha 32 anos e uma carreira de destaque no Ministério das Relações Exteriores britânico. Praticante de atividades ao ar livre e grávida de cinco meses de seu segundo filho, ela contraiu poliomielite, ficando paralisada e internada por três anos — grande parte desse período dentro de um pulmão de aço, um cilindro metálico horizontal que auxiliava na respiração.
Sua filha, Susan Mennell, hoje com 70 anos e moradora de Bookham, em Surrey, na Inglaterra, relatou que a mãe deu à luz dentro do equipamento, que provavelmente foi aberto para o parto. “A poliomielite afetou as pernas e os braços dela, além dos músculos intercostais, o que significava que ela não conseguia respirar adequadamente sem ajuda”, explicou Susan.
A poliomielite era altamente comum em meados do século 20, causando desde casos assintomáticos até paralisia permanente ou morte, afetando desproporcionalmente crianças pequenas. No auge da enfermidade, nas décadas de 1940 e 1950, a doença matava ou deixava mais de meio milhão de pessoas paralisadas por ano em todo o mundo. O pulmão de aço utilizava um motor para forçar a entrada e saída de ar do cilindro, expandindo e contraindo os pulmões dos pacientes.
Elizabeth perdeu por pouco a oportunidade de ser vacinada: a imunização desenvolvida pelo médico Jonas Salk foi licenciada em 1955, apenas um ano antes de ela contrair o vírus. Com os programas de vacinação posteriores, a poliomielite foi amplamente controlada e erradicada em quase todo o mundo, restando apenas no Afeganistão e no Paquistão.
Especialistas em saúde alertam atualmente sobre o risco de retorno da doença diante da queda nas taxas de cobertura vacinal abaixo da meta de 95% estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Na Inglaterra, a imunização aos 12 meses atinge 90,5% das crianças. Para Susan, vivenciar o ceticismo em relação às vacinas é algo pessoal e doloroso, dada a gravidade histórica da enfermidade.
Com informações de: BBC Brasil
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