Dino aponta indícios de liderança de Mário Frias em desvio de emendas
Ministro do STF destacou que verba pública teria sido desviada para financiar filme e mencionou conexões com facção criminosa

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino afirmou haver indícios de um papel de liderança do deputado federal Mário Frias no esquema criminoso de desvio de emendas parlamentares. O objetivo seria o financiamento do filme Dark Horse, uma dramatização da vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Há a alusão reiterada, no itinerário delituoso, a um deputado federal, o Sr. Mário Frias, que – no terreno hipotético da investigação – ocuparia um papel de liderança na suposta arquitetura criminosa”, afirmou Dino em despacho publicado.
Dino é o relator de uma investigação sobre supostas irregularidades na execução de emendas parlamentares e recebeu informações da Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores do Foro Central Criminal Barra Funda, em São Paulo. Foram os dados da Justiça paulista que o levaram à conclusão de um protagonismo de Mário Frias no esquema.
Operação Make Up e investigações
Dino autorizou a Operação Make Up, na qual a Polícia Federal cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, no Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Entre os alvos estavam o deputado Mário Frias, ex-secretário da Cultura do governo Jair Bolsonaro e roteirista do filme, e a empresária Karina Gama.
Relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) indicaram irregularidades na destinação de R$ 2 milhões em emendas de Frias para duas entidades registradas em nome de Karina Gama: o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC).
Procurada, a prefeitura de São Paulo afirmou que não há irregularidade nos serviços prestados pelo Instituto Conhecer Brasil e que o Programa WiFi Livre segue em funcionamento na cidade. A assessoria do deputado Mário Frias foi contatada, mas ainda não retornou.
Vínculos com o PCC
Em seu despacho, o ministro do STF afirmou ainda haver ligação entre o desvio de dinheiro proveniente de emendas parlamentares e organizações vinculadas à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
“No curso da investigação se fortalece a hipótese de imbricação indissociável em um sofisticado esquema de destinação e desvio de recursos públicos, com destaque para emendas parlamentares federais e para a prefeitura de São Paulo. Essa organização alcançaria, inclusive, vínculos com a facção PCC”, apontou o magistrado.
Com informações de: Agência Brasil
Apresente sua marca, produtos, serviços ou novidades por meio de conteúdos patrocinados e campanhas personalizadas.
Conheça nossas opções de divulgação





