Cientista político alemão alerta sobre interferência de Trump nas eleições do Brasil
Para Peter Birle, diretor do Instituto Ibero-Americano de Berlim, pressão externa dos Estados Unidos lembra episódios históricos na América Latina e pode influenciar o pleito presidencial.

O governo de Donald Trump está tentando interferir na eleição presidencial brasileira, e a história recente da América Latina mostra que esse tipo de pressão externa costuma dar certo. O alerta é de Peter Birle, um dos principais especialistas europeus em assuntos brasileiros e diretor de pesquisa do Instituto Ibero-Americano de Berlim, em entrevista à BBC News Brasil.
Segundo Birle, avaliador do Brasil no índice de democracia da Fundação Bertelsmann, a ofensiva de Washington envolvendo tarifas, sanções e revogação de vistos não é uma política inteligente, pois tende a gerar mais resistência do que resultados construtivos. O cientista político compara o momento atual a um episódio de 1946, quando os Estados Unidos tentaram barrar a ascensão de Juan Perón na Argentina e acabaram por ajudar a elegê-lo.
No entanto, o especialista aponta que, na Argentina recente, a interferência funcionou. No Brasil, avalia que ainda é cedo para saber o desfecho, embora o cenário a aponte para um segundo turno competitivo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro (PL).
Questionado sobre as diferenças no cenário político, Birle observa que a democracia deixou de ser o tema central da disputa, sendo substituída por debates sobre economia e segurança pública. Sobre um eventual segundo mandato da ultradireita, o pesquisador faz um alerta baseado em experiências internacionais: “É no segundo mandato que vêm as mudanças mais radicais”.
Com informações de: BBC Brasil
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