
Dois terremotos históricos deixam 164 mortos e quase mil feridos; tremores são sentidos no Brasil
A Venezuela enfrenta uma das piores catástrofes naturais de sua história recente. Dois fortes terremotos consecutivos atingiram o país na noite de quarta-feira, deixando um rastro de destruição com pelo menos 164 mortos e 971 feridos. A confirmação oficial das vítimas foi feita nesta quinta-feira (25) pela presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, que decretou estado de emergência nacional diante do cenário devastador.
Os abalos foram tão intensos que geraram reflexos no território brasileiro, sendo sentidos em estados da Região Norte do Brasil.

O pior terremoto registrado na Venezuela desde 1900
De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), a atividade sísmica foi composta por dois tremores de grande magnitude em um intervalo de apenas 39 segundos:
Primeiro tremor: Registrou magnitude 7,2 na escala Richter às 18h04 (horário local), com epicentro próximo à cidade de San Felipe, no estado de Yaracuy, a cerca de 280 quilômetros de Caracas.
Segundo tremor: Ocorreu logo em sequência, atingindo a magnitude ainda mais destrutiva de 7,5, com epicentro localizado mais ao norte, perto do município de Yumare.
Especialistas do USGS apontaram que os terremotos foram extremamente superficiais, ocorrendo a menos de 30 km de profundidade, o que potencializa os danos na superfície. Este foi considerado o pior evento sísmico a atingir a Venezuela desde o ano de 1900, quando o terremoto de San Narciso alcançou a magnitude de 7,7. Mais de 20 réplicas (tremores secundários) foram registradas, mantendo a população em pânico nas ruas.
Cenário de caos: Prédios desabam e aeroporto é fechado
Os estados de Caracas, La Guaira, Miranda, Aragua, Carabobo e Falcón foram os mais castigados. Na capital, Caracas, e em La Guaira, imagens mostram dezenas de edifícios totalmente destruídos ou com colapsos estruturais graves. No município de Chacao, o prefeito Gustavo Duque confirmou o desabamento de um prédio de oito andares e outro de doze andares, onde equipes conseguiram resgatar 18 sobreviventes em meio aos escombros.

O governo venezuelano determinou medidas drásticas de contingência:
Aeroporto Interrompido: O Aeroporto Internacional Simón Bolívar de Maiquetía sofreu danos severos em sua infraestrutura e foi fechado por tempo indeterminado.
Serviços Básicos: O fornecimento de gás natural foi cortado preventivamente para evitar explosões, e há registros de apagões elétricos, queda generalizada na internet e suspensão das linhas do metrô e trens.
Paralisação: As aulas e as atividades econômicas não essenciais foram totalmente suspensas nos próximos dias.
Tremores são sentidos no Brasil e Itamaraty monta canal de apoio
O reflexo dos terremotos chegou ao Brasil. Segundo o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), os abalos foram sentidos em áreas da Região Norte próximas à fronteira com a Venezuela. Em Belém, capital do Pará, o prefeito Igor Normando informou que alguns edifícios altos chegaram a ser desocupados por precaução, mas nenhuma vítima ou dano estrutural foi registrado no território brasileiro.
O governo federal emitiu uma nota oficial manifestando profunda solidariedade ao povo venezuelano. Para os cidadãos brasileiros que se encontram na Venezuela e necessitam de suporte, o Itamaraty disponibilizou a linha direta de plantão da embaixada brasileira pelo telefone: +58 414-3723337.
Ajuda humanitária internacional e alertas de tsunami
O desastre mobilizou governos de diversos países. A Venezuela confirmou o recebimento de ajuda humanitária e brigadas de resgate especializadas vindas dos Estados Unidos, México, El Salvador (que preparou 300 socorristas e 50 toneladas de suprimentos), República Dominicana e Catar. O presidente americano Donald Trump usou as redes sociais para garantir suporte total das agências de seu governo nas buscas. Manifestações de apoio também foram enviadas pelos líderes da França, Espanha, Argentina, Chile e China.
Logo após os abalos primários, o Sistema de Alerta de Tsunamis dos EUA chegou a emitir um alerta de ondas gigantes para a costa da Venezuela, Aruba e Bonaire, mas o aviso foi cancelado horas depois. O USGS estima que as chances de deslizamentos de terra e liquefação do solo continuam altas devido à fragilidade dos sedimentos afetados.
Veja a matéria original em: BBC Brasil



