O fascismo do fim dos tempos: fazendo negócios até o apocalipse
Artigo aborda o ressurgimento da extrema-direita em paralelo com crises planetárias, mudança climática e riscos existenciais.

Neste verão, enquanto o calor implacável e a seca baixavam o nível da água, o Danúbio começou a revelar seus segredos. Como monstros emergindo da lama do tempo, vestígios submersos da Segunda Guerra Mundial começaram a vir à tona. Na Sérvia, o ressecamento do rio revelou pelo menos 20 navios nazistas, alguns ainda carregados com munições não detonadas. Na Hungria, expôs uma motocicleta militar nazista coberta de lama quente, perto das medalhas enferrujadas e das placas de identificação de dois soldados alemães. Na Eslováquia, um pedestre avistou uma enorme bomba de 680 quilos, plantada pela Força Aérea Real Britânica, emergindo do rio quase desaparecido.
Muitos observadores têm a sensação de que essas aparições fantasmagóricas e ameaçadoras do passado europeu são, mais do que uma curiosidade histórica, uma metáfora literal demais: a maneira da natureza confirmar a frase de William Faulkner de que “o passado nunca morre. Ele nem sequer é passado.”
A impressão de que a história está se repetindo é sustentada por muitas evidências. Ao longo do Danúbio, a última década testemunhou uma onda de nostalgia por uma época em que a “civilização europeia” detinha o poder absoluto, e cada nova onda da extrema-direita flerta, com mais ousadia que a anterior, com políticas e slogans raciais que supostamente deveriam ter sido enterrados com a queda do Terceiro Reich.
Com informações de: Metrópoles
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