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Ataque em Israel é suicida para liderança do Hamas, diz cientista político americano

O ataque do Hamas em Israel é suicida para liderança do grupo, afirmou Ian Bremmer, cientista político americano especializado em política externa dos Estados Unidos. 

“Esta ação foi suicida para a liderança do Hamas. Me parece o que aconteceu quando Prigozhin e o grupo Wagner decidiram ficar contra Putin. Eles agora estão sem saída. Eles serão removidos, eles serão mortos”, declarou.

“Já há ataques aéreos começando em Gaza nessa direção. Haverá guerra terrestre. Provavelmente haverá ocupação de longo prazo de Israel, um esforço para desarmar as milícias do Hamas, um desejo dos israelenses de paralisar e erradicar a ameaça contra Israel”.

Para Bremmer, Israel tem a posição geopolítica mais forte que já teve em décadas, o que fará com que a resposta militar seja muito forte contra o Hamas.

“Até agora, pelo que sabemos, há mais de cem mortes e mil vítimas entre civis israelitas, isto num país com menos de 10 milhões de habitantes. Isto é como o 11 de Setembro de Israel”, avaliou o cientista político.

Diante da gravidade do ataque, o pesquisador prevê possibilidades de prolongamento e expansão do conflito no âmbito internacional, com mais mortes, principalmente entre civis palestinos.

“A grande questão em curso é: a guerra se expandirá? Certamente, se descobrirem que o Irã ajudou a planejar os ataques do Hamas, isso seria uma mudança no jogo e, provavelmente, levaria a ataques israelitas contra militares iranianos. Se tivermos cooperação militar para o Hamas, do Irã, da Síria, além de declarações de apoio e solidariedade, isso poderá, naturalmente, levar a uma expansão da guerra”.

“Veremos, é claro, vítimas civis massivas por parte de Israel, mas muito mais por parte dos palestinianos, na resposta e na retaliação aos ataques. Como sempre, os palestinos serão os que mais sofrerão, pois são os mais impotentes”, avaliou Bremmer.

Falhas na inteligência

Para Ian Bremmer, houve falhas graves na inteligência e na Defesa de Israel, que possui um sistema antimísseis. O problema teria sido provocado pela crise interna que o país enfrenta, diz ele, evitando que Israel previsse e repelisse os ataques.

“A reforma judicial, como é chamada, que Netanyahu tem promovido, levando a manifestações sem precedentes em todo o país, manifestações pacíficas, mas envolvendo grande parte do país há meses, distraiu a inteligência israelita”, disse.

“Também distraiu os militares israelitas, muitos dos quais disseram que não estavam dispostos a servir nas forças armadas se a reforma judicial prosseguisse”.

Outro ponto que, segundo Bremmer, faz parte da crise interna é a campanha de expansão da coalizão de extrema direita do presidente Benjamin Netanyahu sobre os assentamentos israelenses na Cisjordânia, o que teria provocado reação violenta de palestinos.

“Muitas das forças de defesa israelenses estavam focadas na Cisjordânia, estavam focadas nos territórios ocupados e na segurança da fronteira. Eles retiraram muitas das tropas do foco do sul israelense e de Gaza. Então, claramente, os israelenses tiraram os olhos da bola”, concluiu.

“Este é um enorme fracasso da inteligência e da defesa para Israel e, especificamente, para Netanyahu. Eles eram vistos como o padrão ouro em vigilância, em coleta de inteligência, em segurança de fronteiras, especialmente quando falamos sobre as populações palestinas. E agora assistem palestinos armados abatendo civis em cidades israelenses e levando reféns de volta para Gaza”.

VÍDEO – Imagens mostram destruição de ataques em Israel

 

Entenda o conflito

De acordo com as Forças de Defesa de Israel (FDI), o ataque partiu da Faixa de Gaza. Mais cedo, o comandante militar do Hamas, Muhammad Al-Deif, divulgou uma mensagem gravada anunciando a operação “Tempestade Al-Aqsa”, na qual diz que o grupo militante palestino “alvejou as posições inimigas, aeroportos e posições militares [de Israel]” com milhares de foguetes.

Hamas declara guerra contra Israel: “Se você tem uma arma, é hora de usá-la”

  • Muhammad Al-Deif convocou um levante geral contra Israel em mensagem gravada neste sábado e declarou: “Se você [Israel] tem uma arma, use-a. Esta é a hora de usá-la – saia com caminhões, carros, machados. Hoje começa a melhor e mais honrosa história”.
  • O chefe do grupo palestino disse que o ataque a Israel foi uma resposta aos ataques às mulheres, à profanação da mesquita de al-Aqsa e ao cerco de Gaza.
  • Al-Deif apelou aos povos árabes e islâmicos para que viessem à “libertação de al-Aqsa”, a mesquita em Jerusalém
  • As FDI afirmam que o Hamas fez reféns e prisioneiros de guerra desde que lançou o seu ataque surpresa na manhã deste sábado (7). Em vídeos geolocalizados e autenticados pela CNN, o Hamas parece ter feito prisioneiros israelenses dentro e perto de Gaza, incluindo soldados de Israel.
  • Num dos vídeos, em Gaza, uma mulher descalça é puxada de um jipe ​​por um homem armado e depois forçada a sentar-se no banco de trás do carro.”Estamos em guerra”, diz premiê israelense
  • Seu rosto está sangrando e seus pulsos parecem amarrados atrás das costas. O jipe ​​também parece ter uma placa das FDI, sugerindo que pode ter sido roubado e trazido para Gaza.
  • Outro vídeo, que parece mostrar militantes do Hamas levando vários israelenses como prisioneiros, foi geolocalizado pela CNN em Be’eri, no sul de Israel, que é uma vila perto de Gaza.
  • Num outro conjunto de vídeos geolocalizados e autenticados, o Hamas parece estar capturando soldados israelenses.
  • O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que o país está “em guerra” após o ataque surpresa do Hamas na manhã deste sábado.
  • “Cidadãos de Israel, estamos em guerra – não numa operação, não em rondas – em guerra”, enfatizou Netanyahu numa mensagem de vídeo.
  • O ministro da Defesa israelense, Yoav Gallant, sustentou a posição do premiê e afirmou que Israel “vencerá esta guerra” contra os militantes palestinos.
  • “O Hamas cometeu um grave erro esta manhã e lançou uma guerra contra o Estado de Israel. As tropas das FDI estão lutando contra o inimigo em todos os locais. Apelo a todos os cidadãos de Israel para que sigam as instruções de segurança. O Estado de Israel vencerá esta guerra”.

Fonte da matéria: CNN Brasil

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