El Niño muito forte pode mudar a previsão do tempo no Brasil
Fenômeno climático pode alcançar níveis intensos no fim de 2026 e se estender até o primeiro trimestre de 2027, alterando chuvas e temperaturas.

O fenômeno El Niño deve ganhar intensidade nos próximos meses e pode alcançar níveis muito fortes no fim de 2026. A previsão é de que o evento climático continue até, pelo menos, o primeiro trimestre de 2027, com possibilidade de se tornar um dos mais intensos desde 1950.
As projeções foram divulgadas na quinta edição do boletim do Painel El Niño 2026-2027, elaborado por instituições como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
Segundo dados da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), as temperaturas da superfície do mar em áreas do Pacífico Central e Leste já apresentaram anomalias superiores a 3 °C. Para o trimestre entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, a previsão indica temperaturas mais de 2,5 °C acima da média histórica.
Impactos no clima brasileiro
A intensificação do fenômeno deve provocar diferenças na distribuição das chuvas pelo país. A previsão para novembro, dezembro e janeiro aponta maior volume de precipitação na Região Sul e em partes do Sudeste e do Centro-Oeste.
Por outro lado, grande parte do Norte e áreas do Nordeste e do Centro-Oeste podem registrar chuvas abaixo da média. As temperaturas também devem ficar mais elevadas do que o normal em quase todo o território nacional, principalmente no Norte. No Rio Grande do Sul, a tendência é diferente, com possibilidade de temperaturas abaixo da média durante o período.
Seca e risco de queimadas
O boletim também aponta agravamento da seca em áreas do Nordeste e do Norte. Dados parciais de outubro mostram que 68 municípios foram classificados em situação de seca extrema e outros 232 em seca severa.
A combinação de pouca chuva e temperaturas elevadas aumenta a preocupação com a propagação de queimadas, especialmente na Região Norte. Apesar da expectativa de redução dos focos de incêndio em novembro, a falta de precipitação pode dificultar esse processo. As instituições também alertam para possíveis impactos na agricultura, no abastecimento de água e no transporte fluvial em áreas da Amazônia.
Enquanto parte do país deve enfrentar períodos mais secos, a Região Sul aparece entre as áreas com maior probabilidade de registrar chuvas acima da média no próximo trimestre. O aumento da precipitação já influencia os níveis dos rios em algumas bacias da região, com registros de inundações em pontos dos rios Uruguai, Taquari e Caí.
Com informações de: Massa tempo e clima
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