
Acordar exausto após uma noite mal dormida e prometer “recuperar o sono no fim de semana” é um hábito comum. Uma pesquisa envolvendo cerca de 8 mil adultos americanos concluiu que cerca da metade dorme a mais regularmente nos fins de semana, sendo os adolescentes o grupo que mais adota essa prática.
A recomendação comum aos adultos é tentar dormir de sete a nove horas por dia, enquanto os adolescentes precisam de oito a 10 horas. Quando essa meta não é atingida ao longo da semana, surge a dúvida: é benéfico compensar as horas perdidas no sábado e no domingo?
Os riscos de dormir até mais tarde
Para compreender as desvantagens dessa prática, é preciso observar os dois principais processos que regulam o sono: a homeostase do sono (a pressão acumulada para dormir quanto mais tempo ficamos acordados) e o ritmo circadiano (regulado pela luz, temperatura e rotina).
Dormir por mais tempo de manhã pode desregular esses mecanismos, reduzindo a pressão para adormecer à noite e alterando a exposição à luz. O resultado pode ser um ciclo vicioso de dificuldade para pegar no sono e cansaço recorrente.
Os benefícios do sono de recuperação
Apesar dos alertas sobre a regularidade, experimentos científicos indicam que a recuperação do sono pode reduzir ou reverter alguns prejuízos fisiológicos causados por noites mal dormidas. Estudos apontam que dormir mais horas após episódios de privação pode normalizar níveis de leucócitos no sangue e restaurar o metabolismo da glicose e a reação da insulina.
No mundo real, pesquisas de longo prazo sugerem que adultos que recuperam o sono perdido nos dias de folga apresentam menor risco de mortalidade, redução na pressão alta e menor probabilidade de desenvolver demência ou síndrome metabólica em comparação aos que mantêm um déficit crônico.
O ponto ideal
Especialistas indicam que existe um “ponto ideal” de cerca de uma a duas horas de sono a mais para maximizar os benefícios e minimizar as desvantagens, evitando os extremos de acordar na hora do almoço. O tratamento para quem sofre de insônia, no entanto, segue outras diretrizes, priorizando a rigidez de horários para evitar a desregulação crônica.
Com informações de: BBC Brasil
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