
O clima de tensão nas rodovias brasileiras subiu de tom nesta quarta-feira (18 de março). A Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) confirmou que a categoria articula uma paralisação nacional que pode ter início ainda nesta semana. O estopim foi o recente anúncio do aumento de R$ 0,38 no preço do diesel, que atingiu em cheio o custo operacional dos transportadores.
Por que os caminhoneiros querem parar?
De acordo com Wallace Landim, o “Chorão”, presidente da Abrava, o descontentamento é geral. É chocante observar que o “pacote de alívio” anunciado anteriormente pelo Governo Federal — que zerou o PIS/Cofins e prometia reduzir o diesel em R$ 0,64 — foi praticamente anulado pelo novo reajuste da Petrobras.
Além do combustível, a categoria exige:
Recomposição imediata do valor do frete;
Fiscalização do Frete Mínimo (Lei 13.703/2018), que segundo os motoristas, não está sendo cumprida;
Isenção de pedágio para eixos suspensos de caminhões vazios;
Travamento eletrônico da planilha de custos operacionais.
Impacto no Paraná e em Apucarana
Sendo um polo logístico estratégico, o Paraná sente os reflexos de qualquer movimentação da categoria de forma imediata. Em Apucarana, onde o fluxo de caminhões é intenso devido ao escoamento da safra e transporte industrial, o monitoramento nas margens das rodovias já começou.
A estratégia desta vez, segundo a Abrava, não é o bloqueio total de pistas (para evitar multas e conflitos judiciais), mas sim o movimento “fique em casa”. A ideia é conscientizar os motoristas a não carregarem seus caminhões, o que pode causar um desabastecimento silencioso, mas severo.
Impasse com os Governadores
A crise ganha contornos políticos com a recusa dos governadores estaduais em reduzir o ICMS do diesel. Os gestores alegam que as finanças estaduais já estão no limite e que novos cortes comprometeriam serviços básicos. Enquanto o governo federal e estados não se entendem, o transportador autônomo afirma que “está pagando para trabalhar”.
A Abrava mantém o diálogo aberto com Brasília, mas alerta que, sem medidas concretas até sexta-feira, o Brasil pode ver as rodas do transporte pararem novamente.
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