
Petistas fazem contas em CPMI para controlar convocações e evitar desgastes
Portanto, com a presença desses aliados, a expectativa dos governistas é de que consigam controlar a votação de requerimentos, especialmente de convocação. Na prática, isso significa rejeitar e impedir que determinados membros da gestão Lula ou a ela alinhados sejam obrigados a prestar depoimento. Por exemplo, o sindicalista e irmão de Lula, José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico.
Por outro lado, ter a maioria na votação dos requerimentos pode significar ao governo aprovar a convocação de integrantes da gestão Jair Bolsonaro (PL) e até o próprio ex-presidente. A intenção dos governistas é mostrar que o esquema de corrupção começou antes da gestão Lula, embora tenha se intensificado nos últimos anos, conforme apontaram as apurações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU).
Não só para a maioria na CPMI, mas, também, para os trabalhos no Congresso, a reorganização da base é vista como crucial. No entanto, até agora, sem muito sucesso. O Centrão está cada vez mais volátil e acenando em construir o herdeiro do espólio político de Bolsonaro para as eleições presidenciais e estaduais de 2026.
A oposição, por sua vez, fala em fazer o governo “sangrar” na CPMI pelos próximos meses. O colegiado está previsto para acabar no final de março do ano que vem, mas pode ter a duração prorrogada mais para frente.
Além de números e convocações que possam constranger o governo, os bolsonaristas deverão voltar com as críticas de que a gestão do presidente do Partido dos Trabalhadores permitiu descontos irregulares contra aposentados – parcela importante da base social da sigla – e demorou a agir, na avaliação deles.
Governo e oposição também deverão disputar ainda a vaga de vice-presidente da CPMI, que está em aberto. Os trabalhos da comissão retornam na semana que vem com a análise e votação de requerimentos de ambos os lados.



